sexta-feira, 6 de março de 2009

Para quem acreditou no trabalho

No dia 4 de março de 2009 iniciamos a lanchonete Leseira baré administrada por usuários do Ambulatório Rosa Blaya do C. P. E. R.
Luciano Rios comentou:
A loucura é apenas um estado de espírito, o qual buscamos nos encontrar.
Loucos são aqueles que não acreditam na loucura como esse estado,
Pois somente os Gênios a percebem e sabem utilizá-la.
Todos somos loucos, porém fazemos da loucura uma cura para sobrevivermos nessa sociedade danosa.
Se enlouquecemos juntos é porque somos mais Gênios do que os próprios Gênios, acreditando na loucura como um elemento social de crescimento e desenvolvimento.....
Isso é apenas o inicio, imagine o meio e o final, se é que terá um final!
Faça como o Luciano envie uma mensagem, comentário ou até mesmo perguntas, que postaremos para você, é só acessar nosso
email: leseirabare_manaus@hotmail.com

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Loucuras de Carnaval

O cotidiano de uma instituição psiquiátrica traz muitas vezes uma rotina entorpecedora, cristalizando papéis, ideologias. Impondo um ritmo lento e repetitivo que se arrastam a través das semanas, meses e anos. O medo do preconceito esconde-se através de uma conduta normalizada. Impor um novo ritmo de existência é um desafio sempre vencido a cada repetição tanto de condutas normóticas como de ensurtamentos psicóticos.

As festas, em particular o carnaval, rompem as barreiras do marasmo, do normótico. Segundo Roberto da Matta (1990) “é pela dramatização que o grupo individualiza algum fenômeno, podendo assim, transformá-lo em instrumento capaz de individualizar a coletividade como um todo, dando-lhe identidade e individualidade”.
Brincar com muitas possibilidades de ser.






domingo, 15 de fevereiro de 2009

Projeto Leseira baré apresenta as primerias etapas para criação de associação de usuários do serviço de saúde mental do CPER, com a meta de inserção social através do trabalho baseado na economia solidária, a importância de ações como esta estão nas palavras de Pedro Gabriel:
“ ...a reforma psiquiátrica não é apenas o desafio de acabar com manicômios e criar outros serviços. É, também, extrair a positividade naquilo que é visto apenas como negativo. Aí, a questão das oficinas de geração de renda, a inclusão social pelo trabalho, as cooperativas, são instrumentos extremamente eficazes. Se pensarmos uma experiência internacional como a italiana, veremos que o trabalho das cooperativas sociais e das empresas sociais foram experiências cruciais para que, nas regiões da Itália, onde a reforma italiana deu certo, tais iniciativas pudessem se consolidar, aos olhos da opinião pública, como experiências positivas e muito bem-sucedidas".
Ou ainda no discurso proferido por Paul Singer sobre S a ú d e M e n t a l e E c o n o m i a S o l i d á r i a : I n c l u s ã o S o c i a l p e l o T r a b a l h o (2005) no qual cita Pedro Gabriel
..."Creio que, até por esta visão que a economia solidária traz de travar este debate [...] com essas condições adversas do mercado, que é um mercado que não inclui, mas exclui, entre a economia solidária e a reforma psiquiátrica há uma vocação cooperativa inevitável. [...] O fundamental é que ambos nascem de uma matriz comum [...] nessa vontade de mudar a sociedade, de modo que ela possa ser uma sociedade mais generosa, mais inclusiva, mais solidária etc. Essa é a matriz que nos interessa. Na verdade, a reforma psiquiátrica não é uma tecnologia de montar serviços de saúde mental, mas um movimento social de transformação profunda e de fato das concepções sobre a loucura e sobre a diferença.”
Disponível em http://www.saude.gov.br/bvs
Oficina para confecção de salgados e doces para lanchonete com Luciano Rios.

Aprendizagem do grupo em curso no SENAI


Grupo de usuários do CPER com professora.
Sra. Terezinha( professora do SENAI) ministrou o curso "Doces e salgados" para grupo de usuários do CPER, trabalho acompanhado por Otamires Barbosa.

Anne Louise Machetti, psicóloga voluntária e colaboradora do projeto,acompanha o grupo na fase de estruturação e implantação da lanchonete.

Rosangela Aufiero, psicóloga do CPER, idealizadora do projeto

Luciano Rios, geógrafo voluntário, empresário do ramo de alimentação,faz terinamento com o grupo em ações de trabalho dentro da lógica da economia solidária.

Otamires Barbosa, Administradora voluntária, idealizadora do projeto.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Inserção social através do trabalho


Atualmente a discussão sobre reforma psiquiátrica não está mais restrita a implantação de serviços substitutivos, mas pensar e criar ações que viabilizem a inserção social dos usuários do serviço de saúde mental. Entre eles está o trabalho, uma vez que parte significativa desses usuários são pessoas de baixa renda ou estão fora do mercado formal de trabalho.
Em 2004, a Coordenação Nacional de Saúde Mental do Ministério da Saúde iniciou, em todo o país, o mapeamento de projetos ligados a geração de trabalho e renda, nos âmbitos municipais e estaduais, que visam à inclusão social de pessoas com transtornos mentais e/ou com transtornos decorrentes do uso de álcool e outras drogas. O que culminou na publicação da Portaria Interministerial n° 353/2005, entre o Ministério da Saúde e de Trabalho e Emprego, que instituiu o Grupo de Trabalho de Saúde Mental e Economia Solidária. O principal objetivo é discutir e implementar as ações voltadas para inclusão social das pessoas que precisam de cuidados em saúde mental.
O projeto Leseira baré desenvolve atualmente duas oficinas voltadas para inserção social através do trabalho, em andamento nas dependências do Centro Psiquiátrico Eduardo Ribeiro, no ambulatório Rosa Blaya. O trabalho é desenvolvido por psicólogos do serviço e profissionais voluntários na área da Psicologia, Administração e Geografia:
1-Oficina protegida de artesanatos: os usuários são convidados a aprenderem a customizar sandálias, camisas, confeccionar chaveiros, etc. A renda recebida pelos pacientes é por produção.
2-Lanchonete protegida: O trabalho é desenvolvido dentro da lógica da Economia solidária, os usuários preparam os alimentos e vendem na dependência da instituição psiquiátrica.

A equipe envolvida:
Rosangela Aufiero – Psicóloga do CPER
Ane Louise Michetti – Psicóloga voluntária
Maria do Perpetuo Socorro Miranda – Psicóloga do CPER
Otamires Barbosa- Administradora voluntária
Luciano Rios - Geógrafo voluntário
Michele Della Pace - Psicóloga voluntária
Alessandra Inês Abreu- Psicóloga voluntária

sábado, 3 de janeiro de 2009

2009 chega com novos projetos...

  1. Oficinas protegidas: trabalhos com confecção de acessórios femininos;
  2. Cooperativa para produção de doces e salgados;
  3. Oficina de arte digital para promover a inserção social;
  4. Atividades psicoeducativas extra-muro hospitalar;

E muito mais ...

Aguarde!

segunda-feira, 20 de outubro de 2008


VENHA CONHECER O TRABALHO DESSE GRUPO PRA LÁ DE CRIATIVO!

No ambulatório do C.P.E.R , o grupo de usuários da quarta-feira está aprendendo a fazer coisas interessantes, no momento estamos trabalhando com a confecção de sandálias customizadas. O objetivo é a profissionalização. Veja o que elas pensam a respeito:

A.26 anos, “O trabalho aqui é muito legal”.
I.43 anos “Eu estou gostando muito de fazer o que eu estou aprendendo”.
J, 44 anos, “Hoje sou outra pessoa muito feliz”.
V. 57 anos, “Vem comprar os nossos artesanatos”.
V. 47 anos, “Trabalhar em grupo é bom, pois nos faz crescer e espairecer no ambiente em que nos encontramos”
Local : Ambulatório do C.P.E.R , quarta feira de manhã.

domingo, 12 de outubro de 2008

Baile à Fantasia

Baile à fantasia realizado em 17 de setembro de 2008!

Projeto de Documentário "Loucussão: vozes que ouvimos sobre a loucura"

Loucussão: vozes que ouvimos sobre a loucura[1] de Luiz Carlos Martins[2] e Rosangela Aufiero[3] é uma proposta de documentário sobre a reforma psiquiátrica. Terá como foco principal as falas da loucura e sobre a loucura, socialmente reconhecidas ou não, e sua metaforização e espelhamento no documentário. 

Buscaremos repensar novasformas de entendimento sobre a loucura, estabelecendo uma relação desta com o preconceito, como fonte de violência e o isolamento. Trabalhar-se-á com os usuários do serviço de Saúde Mental e as experiências de desinstitucionalização no tratamento dos portadores de sofrimento psíquico na cidade de Manaus, São Paulo e Santos, com os modos de re-significação das histórias de sofrimento psíquico desses usuários, de suas famílias e amigos e com a comunidade, possibilitando novos significados para o que é loucura. 

Buscaremos evidenciar as estratégias que a população desenvolve para lidar com o adoecimento psíquico. Pretendemos que o efeito desse trabalho seja não só que o portador de sofrimento psíquico retome aquilo que viu perdido por ocasião do ensurtamento, ou seja, a palavra, a possibilidade de falar e ser ouvido; mas também que a sociedade se coloque no lugar do portador de sofrimento psíquico. Se a dialética problematiza tudo, inclusive a si mesma, insistindo na superação; e se toda experiência cognitiva inclui aquele que conhece de um modo pessoal[4], queremos que observadores e observados alternem e intercambiem seus papéis, que o objeto de observação se coloque observador de si mesmo, e que o observador se coloque no lugar do objeto de observação.

Para isso pretendemos instrumentalizar alguns portadores de sofrimento psíquicopara que construam as narrativas de si mesmo, usando a equipe do documentário para representá-los. Queremos que eles nos filmem nesse processo, por acreditarmos que a busca pelo real se dá através do jogo da ilusão. Afinal aquilo que está na tela em forma de documentário não é real e também o é, se não houvesse esse jogo permanente, não haveria a possibilidade de se estabelecer os processos de identificação e projeção. Ao mesmo tempo, com isso queremos significar audiovisualmente como os excluídos podem deixar de serem enunciados de um discurso, para tornarem-se protagonistas de seu discurso. 

Queremos fazer materializável as vozes da loucura. Nesta relação observador/observado, pretendemos evidenciar que um influencia o outro, ambos se transformando, num movimento de autopoiesi. O corpo em que ilusoriamente se pensa que habita uma voz versus as várias vozes num mesmo corpo: locuções> LOUCOSSÃO
O documentário como corpo dessa polifonia que nos atravessa. A doença aponta para um ideal de sociedade que não foi alcançado por um indivíduo ou um grupo: os loucos se tornam uma foto em negativo, o avesso de indivíduos que a sociedade de produção e consumo almeja, portanto, o que a sociedade prefere não ver e tem medo de nomear. A intenção é re-significar o sofrimento psíquico e sua processualidade
No caso deste trabalho, O que se quer é, enfim, desmontar a cadeia das determinações normativas, das definições científicas, das estruturas institucionais, através das quais a doença mental assumiu suas formas de existência e de expressão. Por isso, queremos falar da segregação do modo de viver, da existência que os loucos de nossa sociedade vivem, para a saúde dela própria.
As imagens e os sons que interpretamos da loucura têm a ver com o fragmento, com vozes desconexas, com sintaxe interrompida, deslogicalizada. Outra é a lógica a serinvestigada: de tempo, de sintaxe, contradições, dissonâncias, conflitos, antíteses, fusões. Para isso, propomos dois caminhos que se interseccionam: o clichê, a estabilidade, o que é, o que deve ser desconstruído versus o que pode ser, o novo, o deslize metafórico, ainstauração de uma nova ordem, a desestabilização, incômoda, provocante, inusitada, e por isso mesmo, assustadora. Queremos romper o ordinário da linguagem documentária, descontextualizá-la, reorganizá-la, instaurando um outro sentido para o que está cristalizado. Assim, as locações, os figurinos, as cores, a luz, os sons, os ruídos, todos os elementos da linguagem audiovisual se fragmentarão para se construir a aparente univocidade do discurso deste documentário.


[1]- Registrado na BN, n.439.921. Livro:825.Folha:81
[2] - Prof. Da Universidade Federal do Amazonas, dirigiu o documentário Selva na Selva.
[3] - Psicóloga, trabalha no Centro Psiquiátrico Eduardo Ribeiro em Manaus/Am.
[4] - ROTELLI, Franco; LEONARDIS, Ota; MAURI;Diana.(1991)- Desisntitucionalização, (2ª edição), São Paulo. Ed.

sábado, 30 de agosto de 2008

O início de TUDO...


A arte tem um papel fundamental para com o ser humano que é o de reinterpretar a realidade, isolando contextos para nos fazer enxergar melhor aquilo que anestesiou o olhar por tanto ver, a ponto de não mais se ver.

Ao longo do processo civilizatório, as sociedades ocidentais, para canalizar a agressividade, têm desenvolvido rituais de sacrifícios que vão se modernizando ao longo do tempo: do sacrifício da vítima ao bode expiatório, esse modelo vai se repetir. Assim os mecanismos de exclusão são construídos. Os “anormais” precisam ser isolados para não contaminar os saudáveis. Sãos versus loucos.

O corpo em que ilusoriamente se pensa que habita uma voz versus as várias vozes num mesmo corpo: locuções. LOUCOSSÃO. A doença aponta para um ideal de sociedade que não foi alcançado por um indivíduo ou um grupo: os loucos se tornam uma foto em negativo, o avesso de indivíduos que a sociedade almeja, portanto, o que a sociedade prefere não ver e tem medo de nomear, pressentindo que o que separa a loucura da normalidade é um fio muito tênue.